O Jovem Pescador Português – Parte II

Legenda: João Carlos Santos. 

No passado dia 18 de julho de 2015, estive presente num almoço dedicado à «Economia do Mar», organizado pelo Núcleo do PSD Quarteira.
Tratou-se de um simples buffet, com vista privilegiada sobre a Baía de Quarteira, seguramente, o melhor local para ajudar a mente a explanar e a debater as mais diversas matérias marítimas. Todavia, a temática mais efervescente seria a relacionada com as pescas.
O almoço contou com a presença do Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, deputados, personalidades locais ligadas ao partido, pescadores e armadores de Quarteira e de outras localidades algarvias.
Após as intervenções iniciais, destacaria a de Rui Cristina, ao exaltar o papel da investigação, nomeadamente da Universidade do Algarve, direccionada para novos campos de actividade dentro da Economia Azul e a sua importância para o futuro da economia nacional. João Guerreiro, dissertou sobre a valorização das espécies de pescado, e por fim, Cristóvão Norte, com o seu peculiar dote oratório que nos motiva e nos faz sonhar com um verdadeiro Portugal Atlântico.
Em seguida, foi dada oportunidade ao público para questionar os oradores. Deste modo apresentei três questões ao Secretário de Estado do Mar, as quais vou resumir.
Sobre o Curso de Cédula Marítima: é gritante a falta de pescadores, um sector para operar necessita de mão-de-obra disponível. Para esse efeito existe este curso de iniciação à actividade da pesca. Contudo, tem uma duração de quase três meses, sendo de todo, contraproducente esse tempo, além de não dar garantias que após a conclusão da formação, o “novo pescador” vá iniciar-se na atividade. O curso é regido segundo diretrizes europeias que não espelham a especificidade nacional. Em suma, precisamos de pescadores, mas o curso, nos moldes em que está, é um entrave.
Acerca da valorização de pescado: o caso do Sarrajão. O padre Luíz Cardoso em 1751 escreveu o seguinte: “Nesta praya se faz todos os annos armação de atum, corvina, sarrajão, e pargo, e he a mayor, e de mais fabrica, que há em todo o Reyno do Algarve.”. Tal como aconteceu em séculos anteriores há abundância de Sarrajão nestas paragens. Mas em lota vale míseros cêntimos…
E perante este horrível crime, de matar peixe e vende-lo a 1/5/10 cêntimos o metro, acredito que o esforço para garantir justiça na cadeia de valor, tem que ser reforçado pelo Governo. E quem fala desta espécie, fala de outras. Vendido ao consumidor, chega a custar 5€ por quilo. É notório…
Finalmente, sobre O Jovem Pescador Português, inserido no programa operacional Mar2020. Em 11 de fevereiro de 2015, quando questionei Manuel Pinto de Abreu, efetivamente, este não me soube responder. Desta vez, veio preparado. Esclareceu que no perfil do Jovem Pescador Português, encontra-se inserido o Perfil do Jovem Aquicultor.
As pescas, enquanto sector forte e tradicional da Economia do Mar, serão sempre uma prioridade. Tudo bem. Mas questionado acerca de um pacote de medidas de incentivo de jovens à pesca, de facto, lamenta que os apoios não sejam mais, além dos já conhecidos para a aquisição de embarcações. Em suma, relativamente aos três pontos apresentados, foi-me dada razão e os mesmos sinalizados para tratamento futuro. E assim continua a minha luta por melhores condições de trabalho para um setor que precisa de evoluir por via de uma legislação leve e inovadora, caso contrário e perdoem-me o algarvismo: «Isto morre tudo triste».
João Carlos Santos é Coordenador do Gabinete de Apoio à Economia do Mar da JSD Loulé e JSD Quarteira.

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