Legenda: João Carlos Santos e José Carlos Santos a "safar" a rede.
Ao longo deste artigo de opinião procurarei escrever a palavra «Mar» sempre com letra maiúscula, pois, acredito que a sua primordial importância começa na forma como o expressamos por via da palavra escrita.
Quando aludimos ao território nacional, julgo não haver português que cometa o sacrilégio – só talvez por engano – de escrever Portugal com minúscula. Esse facto, advém de um profundo sentimento de respeito pela nacionalidade, resultante dos séculos de História desta «Ocidental praia lusitana», como dizia o poeta dos «Lusíadas», de nome Luís Vaz de Camões, que pelo escorregar da pena espalhou pelo Mundo o significado da Portugalidade.
Este deverá ser o sentimento nutrido pelo Mar português, não somente enquanto ancestral caminho que nos tirou da obscuridade e nos libertou das amarras da ignorância, levando os portugueses a descobrir e a dar a descobrir novos mundos ao Mundo. Mas também devemos exaltá-lo enquanto parte integrante do território nacional.
É com certeza que afirmo e reafirmo o papel fundamental do Mar nas viagens dos Descobrimentos, tal como hoje na navegação globalizante, filha dessas primeiras investidas ao desconhecido, atualmente responsável pelo maior tráfego de mercadorias no Mundo.
Contudo, neste século XXI, as palavras de ordem são: indústrias navais, turismo e náutica de recreio, transportes marítimos e estruturas portuárias, tecnologias e energias marinhas, transformação de pescado e, por fim, – inserido num todo – pescas, aquacultura e transformação de pescado. Estes são segmentos fundamentais para determinados sectores da sociedade, possuem um efeito replicador fantástico no que toca ao aumento da empregabilidade.
Embora não possamos olvidar o sector tradicional da Economia do Mar: as pescas. Nesse sentido, no dia 11 de fevereiro de 2015, procurei estar presente no Roteiro do Mar, organizado pela Universidade do Algarve, o qual contou com a presença da Sr.ª Ministra da Agricultura e do Mar Assunção Cristas e do Sr. Secretário de Estado do Mar Manuel Pinto de Abreu.
Retirando as formais ilhargas históricas associadas à temática – inspiradoras – o âmago da iniciativa estava na apresentação do Programa Mar2020. O responsável pelo programa Dr. Rodrigo Brum, mediante a recheada plateia de professores, estudantes e investidores no sector da aquacultura, falou dos largos incentivos para esse sector, cada vez mais, considerado estratégico para a economia nacional. E ainda bem que assim o é.
No entanto, achei que as pescas ficaram relegadas para segundo plano e ao constatar que era o único pescador naquele auditório, tive a honrosa tarefa de defender o baluarte. De facto, foi dada grande importância à inédita difusão da criação da imagem do «Jovem Aquicultor», novidade que a mim deixou-me satisfeito pelo trabalho do Governo nessa área, pois, tem em vista o investimento jovem na aquacultura.
Contudo, as pescas necessitam de um programa de apoios à fixação de jovens neste sector de atividade. São notórios os problemas na renovação etária dos recursos humanos disponíveis e uma vez que se deu tanta ênfase a esta nova figura do «Jovem Aquicultor», aproveitei o mote para questionar o Sr. Secretário de Estado do Mar, da seguinte forma: «Para quando a criação da imagem do Jovem Pescador Português?».
Seguramente, não era um tema esperado e muito menos que fosse questionado. Penso que será de todo importante levar a cabo a definição do «Perfil do Jovem Pescador Português». A partir de junho começam as discussões em torno do Programa Mar2020, é este o momento!
Esta reflexão, fundamental para o futuro do sector, deverá ser incentivada, hoje mais do que nunca, pois, perante a eminência dos apoios do Programa Mar2020, existe uma porta aberta para o Mar, um caminho seguro, o qual podemos seguir e mudar este paradigma associado às pescas. Todos os pescadores sabem o quão inconstante é a vida do Mar, por isso que se diz: «O Mar não tem portas», mas neste caso abriu-se uma e há que ser aproveitada!
*Coordenador do Gabinete de Apoio à Economia do Mar – JSD Loulé e JSD Quarteira

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